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Autor: Mário Silva

Professor Doutor, Escola Superior de Saúde de Santarém, IPSantarém
Membro Integrado do Centro de investigação em Qualidade de Vida, na área científica de Saúde Individual e Comunitária

 

No âmbito do convite formulado pelo Coordenador do Centro de Investigação em Qualidade de Vida do IPSantarém e IPLeiria, para elaborar um texto tipo notícia sobre um projeto ou linha de investigação que esteja a desenvolver, considero relevante estruturá-lo numa perspetiva integrativa.

Desde 2012 que a Escola Superior de Saúde de Santarém (ESSS) tem desenvolvido projetos de investigação através da Unidade de Monitorização de Indicadores de Saúde (UMIS). Tem vindo a demonstrar a capacidade de desenvolver projetos de I&D e de Extensão à comunidade e que contribuíram e contribuem para a maturidade por domínio científico desta Unidade. Desde então, que o Coordenador da UMIS tem centrado todos os projetos numa linha de investigação denominada “Centralidade do cidadão no processo de cuidados”.

A orientação para a investigação tem sido desenvolvida através da Investigação científica aplicada (numa perspetiva da Evidence based practice) e Investigação Académica (1º e 2º ciclo de formação na Escola e 3º ciclo, na cooperação com o Doutoramento em Enfermagem).

Esta perspetiva evolutiva da Investigação na Escola Superior de Saúde de Santarém, com evidência demonstrada através de projetos financiados, publicações em revistas científicas, eventos científicos nacionais e internacionais tem sido promovida pela UMIS e pelo Coordenador da mesma.

Todo o processo de consolidação de projetos e das equipas desenvolve-se em torno desta linha de investigação. Em 2019 o Coordenador desenvolve a conceção de um projeto “WHOrYou_ALL – Healthy Aging”, cujo objetivo major é a integração de quatro grandes domínios, que permitem dentro da linha de investigação “Centralidade do cidadão no processo de cuidados” desenvolver estudos da pessoa ao longo do ciclo vital: Nascimento, Gravidez e Período neonatal, Período pós- neonatal e Juventude, Vida adulta e Idoso e Envelhecimento saudável. Estes domínios são coordenados por quatro investigadores doutorados da ESSS.

Esta conceção permitiu ao Coordenador promover na equipa uma dinâmica de investigação que teve como resultado a sua integração no Centro de Investigação em Qualidade de Vida (CIEQV) do IPSantarém e IPLeiria e a criação de uma área científica denominada “Saúde Individual e Comunitária”.

Atualmente sou coordenador do domínio “Adulto em vida ativa”, uma vez que tenho desenvolvido investigação, quer no mestrado, quer no doutoramento centrado nesta etapa do ciclo vital, nas dimensões do conhecimento da capacitação para a autogestão da pessoa com doença cardiovascular. A equipa deste domínio é constituída por seis investigadores.

A ideia central deste projeto é capacitar a pessoa adulta em vida ativa para tomadas de decisão informadas e a adoção de estilos de vida saudáveis ao longo da vida.

As políticas públicas visam melhorar a saúde e o bem-estar, promover a justiça social e contribuir para o desenvolvimento sustentável, o crescimento inclusivo e a riqueza em todos os Estados Membros.

No âmbito das estratégias Health 2020 (OMS, 2014), centrada nos objetivos da melhoria da saúde e bem-estar da população e na redução das desigualdades em saúde, define como prioridades estratégicas, investir na saúde ao longo do ciclo de vida, capacitando os cidadãos; fortalecer os sistemas de saúde centrados nas pessoas; desenvolver comunidades resilientes e ambientes protetores (DGS, 2015).

A necessidade de promover uma cultura de cidadania visando a capacitação dos cidadãos para a autonomia e responsabilidade pela sua saúde (ou de quem deles depende) vem reforçar as dimensões supracitadas, integrando simultaneamente a relevância da promoção de literacia centrada em medidas de promoção da saúde e prevenção da doença. Também integra nesta conceção, a declaração de Alma-Ata no que concerne a uma Cidadania em Saúde (DGS, 2015), que cita “o direito e dever das populações em participar individual e coletivamente no planeamento e prestação dos cuidados de saúde” (Alma-Ata, 1978).

As intervenções dos profissionais de saúde, centradas no conhecimento adequado das necessidades das pessoas, tendo em vista a promoção da literacia em saúde, e, cujo resultado será a sua capacitação para a autogestão no processo de saúde/doença, revela-se de crucial importância.

A participação ativa dos cidadãos nos seus projetos de saúde implica que estes, estejam capacitados para assumir essa responsabilidade, necessitam de informação que lhes possibilite realizar escolhas de forma consciente, bem como, para poderem agir como agentes de mudança.

A OMS (2013) refere haver evidências crescentes, de que pessoas com conhecimento, habilidades e confiança para gerir a sua saúde têm melhores resultados de saúde. Esta afirmação promove ainda um paradigma, cujo envolvimento da pessoa e a parceria na promoção da sua saúde é crucial.

A importância de avaliar as necessidades de saúde de uma população específica é transversal no âmbito dos indicadores de saúde ao longo da vida. Numa perspetiva da centralidade do cidadão pretendemos capacitar/empoderar o adulto em vida ativa, no processo de tomada de decisão naquilo que são os estilos de vida saudável.

Capacitar a pessoa adulta em vida ativa é um desafio de uma complexidade enorme.

Quando falamos em promover a capacitação da pessoa adulta em vida ativa emerge a seguinte questão: “Como podemos capacitar quem é capacitado?” Numa dimensão tão complexa como é a vida das pessoas consideramos de extrema relevância conhecer as suas necessidades, de acordo com o seu conhecimento, conceção de saúde e o ambiente que as envolve.

As ações de autocuidado que podem ser geridas pela própria pessoa, também lhe incutem a responsabilidade que advêm das mesmas.  Por outro lado, a partilha de informação e conhecimentos promove o envolvimento da pessoa, assim como, a obtenção de opiniões, expectativas e experiências que a mesma partilha com o profissional de saúde, o que permite ir ao encontra das suas necessidades.

É nesta linha de pensamento que estamos a desenvolver a candidatura de um projeto cujo fio condutor emerge do domínio supracitado, mas focado para a pessoa adulta em vida ativa com Insuficiência Cardíaca. Pretendemos identificar as suas necessidades e nesta perspetiva de capacitação da pessoa, desenvolver com ela as capacidades que lhe permitam a autogestão do seu processo de saúde doença e manutenção da qualidade de vida e bem-estar.

Estamos na fase da conceção do projeto cujo título é “A pessoa adulta em vida ativa. Capacitar para a saúde individual e comunitária.” Definimos como Acrónimo: “AllYouNeedKnow”, que tem na sua génese: All: Adult Living Life Vida de Adulto; You “Você” Need “Necessita”; Know “Conhecer/Saber”.

Neste domínio e enquanto coordenador pretendo mobilizar a equipa de investigadores centrando o seu Knowhow e na sua motivação pessoal e profissional.

Enquanto membro integrado do CIEQV pretendo contribuir para a sua missão, e ao mesmo tempo produzir conhecimento para a promoção da Qualidade de Vida das pessoas.

 

Artigo publicado na Newsletter de fevereiro de 2021 do CIEQV