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Autor: Rui Resende

Instituto Universitário da Maia (ISMAI), Portugal
Membro Integrado do Centro de investigação em Qualidade de Vida, na área científica de Educação e Formação

 

O estudo da eficácia da liderança tem sido um tópico de grande interesse dos investigadores na procura de compreensão de fatores que contribuem para o sucesso dos liderados, das equipas e/ou organizações.

O mesmo cenário aplica-se ao contexto desportivo onde existe a necessidade de clarificar como a liderança do treinador influencia a performance dos atletas e das equipas.

Vários fatores podem influenciar a eficácia de liderança, a filosofia do treinador, os estilos de liderança, as caraterísticas específicas do líder assim como dos membros da equipa e o contexto onde a liderança ocorre.

A filosofia do treinador representa um fator chave para explicar como os treinadores assumem o seu papel de liderança, contudo há também indícios de que o nosso conhecimento sobre como os treinadores traduzem a sua filosofia em comportamentos específicos de liderança e em critérios de eficácia que vão servir para monitorizar a filosofia e a prática de liderança ainda é muito escasso.

Esta investigação tem como objetivo testar as hipóteses do Modelo da Eficácia da Liderança (Gomes, 2014, Gomes, in press; Gomes & Resende, 2015; Gomes et al., 2017) que congrega três hipóteses que procuram explicar a eficácia da liderança.

Hipótese1 (H1). Hipótese da congruência dos ciclos de liderança

Nesta hipótese, realça-se a importância de uma relação linear entre três fatores: (1) a filosofia de liderança (as ideias e princípios de liderança); (2) a prática de liderança (os comportamentos do líder para cumprir a sua filosofia); e (3) os indicadores de liderança (como o líder avalia a sua eficácia). Esta indicação valoriza a importância de os líderes efetuarem uma relação entre o que é importante para eles (filosofia de liderança), os comportamentos que assumem para atingir o que é importante para eles (prática de liderança) e definirem estratégias para avaliar a concretização das suas ideias e comportamentos junto dos membros da equipa (Indicadores de liderança).

Assim sendo, a eficácia da liderança é maior quando o líder estabelece uma relação linear entre o modo como pensa exercer a liderança (ciclo conceptual) e o modo efetivo como exerce a liderança (ciclo prático), devendo a congruência ocorrer na perspetiva do líder e dos membros da equipa.

 

Hipótese 2 (H2). Perfil ótimo de liderança

Nesta hipótese, realça-se a importância de os líderes dominarem diferentes estilos de liderança, uma vez que isso pode potenciar o efeito produzido pelos ciclos de liderança na sua eficácia junto dos membros da equipa. Os estilos de liderança podem ser divididos em três tipos: transformacional, transacional e tomada decisão.

Assim sendo, a eficácia da liderança é maior quando o líder baseia a congruência entre os ciclos de liderança na maior utilização da liderança transformacional (visão, inspiração, instrução, individualização e apoio), na maior utilização do feedback positivo e menor utilização do feedback negativo da liderança transacional e na maior utilização da gestão ativa (descentralizada) e menor utilização da gestão passiva da tomada de decisão. Esta indicação, valoriza a importância de os líderes dominarem estas diferentes possibilidades de exercício da liderança, com primazia substancial para a utilização da liderança transformacional.

De acordo com o modelo, o perfil ótimo de liderança modera a relação entre os ciclos de liderança e a eficácia da liderança.

Hipótese 3 (H3). Perfil ótimo de liderança

Nesta hipótese, realça-se a importância dos fatores antecedentes à ação do líder, nomeadamente as características pessoais dos líderes (e.g., as crenças, os valores, os objetivos, os recursos e a motivação do líder), as características pessoais dos membros da equipa (e.g., características biológicas, psicológicas, crenças, valores, objetivos e nível de experiência profissional) e as características da situação onde ocorre o fenómeno da liderança (e.g., expectativas, valores e nível de exigência da organização em que o líder está inserido).

Assim sendo, a eficácia da liderança é maior quando o líder possui fatores antecedentes que funcionam como facilitadores da sua ação OU quando o líder possui fatores antecedentes que funcionam como debilitadores da sua ação, mas adota estratégias para minimizar a inibição da sua ação. Ou seja, os fatores antecedentes podem maximizar (i.e., facilitar) ou minimizar (i.e., inibir) a ação do líder, moderando a sua eficácia final.

Em síntese, de acordo com o modelo, os fatores antecedentes moderam a relação entre os ciclos de liderança e a eficácia da liderança.

Hipótese 4 | Hipótese da Congruência Otimizada (HCO)

Esta hipótese congrega toda as hipóteses anteriores apenas numa. Assim sendo, a eficácia da liderança é maior quando o líder estabelece uma congruência entre os ciclos conceptual e prático de liderança (“congruência”), baseando a congruência destes ciclos no perfil ótimo de liderança e considerando os fatores antecedentes da liderança.

Em suma, o Modelo da Eficácia da Liderança atribui particular relevo a três dimensões: (1) a necessidade de os líderes efetuarem uma relação de congruência entre os ciclos de liderança (conceptual e prático), em termos da filosofia, da prática e dos Indicadores de liderança; (2) a importância dos líderes dominarem diferentes estilos de liderança que caracterizam o perfil ótimo de liderança; e (3) a importância de terem em consideração os fatores antecedentes ao exercício da liderança, que podem funcionar como facilitadores ou debilitadores da sua eficácia.

Para calcular as variáveis:

Hipótese 1, Índice de congruência dos ciclos de liderança (ICCL) está a aplicar-se o instrumento Questionário dos Ciclos de Liderança (QCL; Gomes, 2016).

Hipótese 2, Índice de Perfil Ótimo de Liderança (IPOL). Para se efetuar esta análise, necessita de se ter os dados da aplicação do instrumento Escala Multidimensional de Liderança (EML), que existe nas versões para as organizações (EMLO) e para o desporto (EMLD) (Gomes & Resende, 2014; Gomes, Simães, Morais, & Resende, 2021).

Hipótese 3, Índice de Favorabilidade da Liderança (IFL). Para se efetuar esta análise, necessita de se ter os dados da aplicação do instrumento Questionário dos Fatores Antecedentes da Liderança (QFAL; Gomes, 2018).

 

Artigo publicado na Newsletter de março de 2021 do CIEQV